segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

balada pós-loucura

Pegue as pecinhas. Procure, pois algumas voaram para baixo do sofá, da mesa e da estante. Lembre-se que entre as felpas do tapete também se escondem pecinhas. Tome cuidado para não pisar nelas e se machucar, ou, ao ficar de cócoras, ferir os joelhos e as mãos. Junte todas. Cada uma, lentamente. Aproveite e abra as janelas para pegar uma brisa. Porque vai demorar e você vai se entediar, de cansaço, desesperança, talvez um pouco de solidão. Procure o lugar mais confortável da casa. Não coloque música, pois isso pode te distrair com lembranças supérfluas. Lembre-se de respirar apenas, as vezes a gente se esquece. Não deixe que seus pensamentos fiquem mais acelerados que o ritmo dos seus pulmões. São muitas pecinhas, mas elas não se multiplicam e nem são infinitas. Recomece com lealdade e paciência. Enlouquecer custa caro. Evite esta aventura sem propósito. Remonte. 

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