segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

balada pós-loucura

Pegue as pecinhas. Procure, pois algumas voaram para baixo do sofá, da mesa e da estante. Lembre-se que entre as felpas do tapete também se escondem pecinhas. Tome cuidado para não pisar nelas e se machucar, ou, ao ficar de cócoras, ferir os joelhos e as mãos. Junte todas. Cada uma, lentamente. Aproveite e abra as janelas para pegar uma brisa. Porque vai demorar e você vai se entediar, de cansaço, desesperança, talvez um pouco de solidão. Procure o lugar mais confortável da casa. Não coloque música, pois isso pode te distrair com lembranças supérfluas. Lembre-se de respirar apenas, as vezes a gente se esquece. Não deixe que seus pensamentos fiquem mais acelerados que o ritmo dos seus pulmões. São muitas pecinhas, mas elas não se multiplicam e nem são infinitas. Recomece com lealdade e paciência. Enlouquecer custa caro. Evite esta aventura sem propósito. Remonte. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

quase doce.

é natural. Isso é muito natural. Sei que pra qualquer um dos segmentos do relato de hoje, o comentário mais apropriado seria: é natural. Isso é muito. Acontece que, quando me dou conta da ausência dessa peça a qual eu achava que nem tinha mais no corpo, a falta dói que chega ranger. E essa deficiência me impede de ser todo eu no mundo. Fico despreparado em ser total, e da minha debilidade em ser 1/3 só me aguça um sopro de pedir: "me levem, rasguem essas raízes que eu não roguei". Assim, quando vocês entram no carro e vão embora, sobre esse embora pendulam e pesam todos os momentos que deixarei de viver ali, naquela micro-egrégora de amor. E que esses anos, em algum momento. Um minuto. E que em algum momento esses anos em que não os pude abraçar, serão lembranças que irão doer, que irão ranger, que irão sangrar. E nada poderá ser feito, a não ser ir-me junto, esquecer-me aqui, renascer lá. Isso não é muito natural, isso não deveria ser muito natural, e a saudade já espraia em mim feito uma ressaca muito doida, da qual não quero me libertar.

com os afetos que me transmutam e me enfraquecem,


j.