quarta-feira, 5 de outubro de 2016

I remember mushrooms

AUSDRUCKSTANZ, 
TANZDRAMA.

           Estava escovando os dentes pela manhã, se olhando no espelho com um pouco de desconfiança, deu-se conta de que o estava esquecendo. Não imaginava que seria tão ligeiro, e, concluiu que tão rápido não fora, de fato e assumidamente não. As magrelas lembranças naquela manhã se mostraram com contornos menos nítidos e cores mais opacas, mais feias. Careciam ser nutridas pela sua esperança que não tinha mais ânimo, vontade, saco. Sua mãe tentara distraí-lo com mensagens descomplicadas, e nem sabia ela.

            Eu estava escovando os dentes pela manhã, me olhando no espelho com um pouco de decepção, me dei conta de que estava te esquecendo. Não imaginei que seria tão rápido, sim, eu sei que não foi tão rápido. As fracas lembranças nesta manhã se mostram sem traços, cintilando suas últimas cores possíveis a olho nu. Careciam ser nutridas pela minha esperança, que não tem mais ambição, saco, alento. Minha mãe tentou me distrair ao telefone, não disse nada, dissabor. Toda espécie de ritmo a burlar meus movimentos. Pictóricos sem sentido. E todos os desrítmos, pequenas células se propondo ao mundo.  
           
            Eu estava escovando os dentes pela manhã, puxava teus braços, você escapulia. Você escapulia, escorregava, vazava pelos dedos. Soltei. Quanto mais longe, mais nítido, quanto mais perto, mais dúbio. Não imaginei que seria tão rápido. De fato e, assumidamente, não fora.

            Desistira de expor, mas sem apagar os relatos até então citados.

            Ich vergesse, Ich vergesse, vergesse, vergesse
            Ich vergesse, vergesse, vergesse
            I forget.       



(*) Citação: Meredith Monk, Do You Be, memory song.